sábado, 8 de janeiro de 2011

Governo já fala em mínimo de R$ 550



Pressão de centrais sindicais e aliados flexibiliza postura do Palácio

BRASÍLIA (AE) - Diante da pressão do PMDB e das centrais sindicais, o governo dá sinais que tem margem para elevar o mínimo acima dos R$ 540,00 propostos no Orçamento. Na área econômica já se fala em R$ 550,00, principalmente depois que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, foi repreendido pela presidente Dilma Rousseff por ameaçar vetar qualquer aumento do piso salarial que o Congresso venha a aprovar.


O valor do mínimo para 2011 foi fixado em R$ 540,00, por Medida Provisória assinada pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva no último dia 30. Já era esperado que o valor fosse rediscutido no Congresso Nacional. O deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho, presidente da Força Sindical, disse ontem que apresentou emenda para elevá-lo a R$ 580,00.


Os sindicalistas, porém, ganharam um aliado inesperado: o PMDB que, descontente com o pouco espaço recebido na partilha de cargos no Executivo, passou a defender um reajuste para R$ 560,00. Foi a forma que o partido, principal aliado do PT, encontrou para colocar Dilma contra a parede.


É sabido que ela precisa segurar o aumento das despesas de custeio para fortalecer os investimentos, como é seu desejo. Antes mesmo da posse, Dilma orientou a equipe econômica a segurar o reajuste e não permitiu que fosse realizada a prometida negociação com as centrais sindicais em torno de um aumento real (acima da inflação).


O próprio governo vem dando indicações que os R$ 540,00 poderiam mudar para um valor maior. Na segunda-feira, foi anunciado o reajuste das aposentadorias superiores ao mínimo em 6,41%. O índice superou a correção do piso salarial, que foi de 5,88%.


Ocorre que os dois valores devem ser corrigidos pelo mesmo indexador: o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). O mínimo recebe, além do INPC, o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos atrás. Em 2011, esse acréscimo não existe porque o PIB de 2009 encolheu 0,6%.


Essa diferença de reajustes entre o mínimo e as demais aposentadorias ocorreu porque o novo piso salarial foi calculado em agosto passado, com base numa estimativa do INPC para 2010 de 5,88%. Porém, a inflação surpreendeu o governo e o índice deve fechar o ano em algo como 6,5%. Os benefícios previdenciários, por sua vez, foram reajustados com base numa estimativa mais atual.


Se fosse corrigido pelo mesmo índice das demais aposentadorias, o mínimo iria a R$ 542,70. Como o governo costuma arredondar o valor para facilitar o saque em caixa eletrônico, o novo piso poderia ser de R$ 550,00.


Os técnicos já haviam percebido a defasagem do mínimo e o governo vem discutindo internamente a possibilidade de fixar um valor maior do que R$ 540,00 desde o ano passado, conforme informou o Estado no último dia 23. “Não podemos dar menos do que o INPC”, disse na época um integrante da equipe econômica.

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